As doenças reumáticas são alterações do sistema musculoesquelético de causa não traumática. Existem mais de cem doenças reumáticas, cada qual com vários outros subtipos. Elas podem ser agudas, recorrentes ou crônicas e atingem pessoas de todas as idades porém a maior incidência se dá na idade adulta e na terceira idade, sendo as mulheres os principais alvos. Este blog foi criado a fim de trazer informações sobre as principais doenças reumáticas e inicialmente iremos abordar as seguintes alterações: Artrite Reumatóide, Fibromialgia, Gota, Osteoporose e Raquialgia.


Gota (O que é? Causas - Sintomas - Diagnóstico e Tratamento)

10:28 Posted In Edit This 0 Comments »
É uma doença reumática caracterizada pela elevação dos níveis séricos de ácido úrico e surtos de artrite aguda secundários ao depósito de cristais de monourato de sódio.
A concentração normal de ácido úrico no sangue é até 7,0 mg/100ml, acima desse valor, tem-se um diagnóstico de hiperuricemia, o que não significa que esta pessoa esteja com gota, pois somente 20% dos hiperuricêmicos desenvolvem a doença.

Causas:
*A causa mais comum da doença é a deficiência ou ausência do um mecanismo enzimático que excreta ácido úrico pela via renal. Não havendo eliminação adequada, aumenta sua concentração no sangue, atingindo níveis acima do recomendado.
*Outro defeito enzimático (menos comum), produz excesso de ácido úrico e os rins, mesmo funcionando normalmente, não conseguem eliminar a carga exagerada do produto, ocorrendo então seu acúmulo no sangue.
*Quando há hiperprodução e hiperexcreção renal de ácido úrico o organismo pode estar sofrendo agravos diferentes como a policitemia vera (excesso de glóbulos vermelhos no sangue e disfunção do hormônio renal eritropoetina) ou psoríase. Nestes casos é responsabilidade médica o diagnóstido e tratamento adequado.
*Ainda existem alguns medicamentos que diminuem a excreção renal do ácido úrico, alguns usados continuamente como os diuréticos e o ácido acetil salicílico. Se esses não puderem ser retirados, é preferível mantê-los e tratar a gota.
* Em casos onde a causa da hiperuricemia não é enzimática, a doença leva o nome de gota secundária.

Manifestações Clínicas:
Pacientes gotosos podem permanecer até 30 anos com ácido úrico elevado antes da primeira crise. Em alguns casos, já ocorreram crises de cálculo urinário.
A crise de artrite é bastante típica: o indivíduo vai dormir bem e acorda de madrugada com uma dor insuportável que em mais de 50% das vezes compromete o álux do pé, e as demais sempre ocorrem em articulações.

Há situações de dor tão forte que os pacientes não toleram lençol sobre a região afetada. Pode haver febre baixa e calafrios. A crise inicial dura 3 a 10 dias e desaparece completamente. O paciente volta a levar vida normal. Fica sem tratamento porque não foi orientado ou porque não optou pelo que foi prescrito.
Nova crise pode voltar em meses ou anos. A mesma articulação ou outra pode ser afetada. Qualquer articulação pode ser atingida. As dos membros inferiores são preferidas mas encontram-se gotosos com graves deformidades nas mãos e cotovelos. Se não houver tratamento, os espaços entre as crises diminuem e sua intensidade aumenta. Os surtos ficam mais prolongados e, mais tarde, com tendência a envolver mais de uma articulação. Há casos em que algumas articulações não ficam mais livres de sintomas.
Gotosos que tiveram seu diagnóstico tardiamente e os que não se tratam têm cristais de monourato de sódio depositados nas articulações, tendões, bursas e cartilagens. Podem assumir volumes enormes e deformarem gaves nas articulações.

São muito característicos os “tofos volumosos” localizados nos cotovelos. Apesar de não ser comum, quando aparecem na cartilagem do ouvido são úteis para diagnóstico de gota.

Diagnóstico:
Na primeira crise, o diagnóstico definitivo de gota só é feito se forem encontrados cristais de ácido úrico no líquido aspirado da articulação. Pode ser realizado, em alguns casos, também através de exame de sangue onde o valor sérico de ácido úrico é maior que 7,0 mg/100ml. Porém, na ausência de líquido articular, mesmo sendo no dedo grande do pé, a primeira crise não deve ser rotulada antes de um período de acompanhamento, pois há outras causas de inflamação neste local. Lembrar sempre que somente 20% dos hiperuricêmicos terão gota. Se exames e a evolução não definirem outra doença o paciente deve ser seguido como portador de gota.
O Diagnóstico pode ser muito fácil quando houver uma história clássica de monoartrite aguda muito dolorosa de repetição e ácido úrico elevado. Porém, este pode estar normal na crise, quando a suspeita for grande, deve-se repetir a dosagem duas semanas após, para confirmação do diagnóstico.
Nos pacientes com doença crônica já com deformidades e RX alterado não há dificuldades diagnósticas, mas provavelmente haverá no tratamento. Pacientes nesse estado têm gota de difícil controle ou não se tratam.

Tratamento:
Gota não cura! Mas possui tratamento eficaz!
Já vimos que o ácido úrico aumenta devido a defeitos na eliminação renal ou na sua produção. Em ambas situações os defeitos são genéticos, definitivos, se não forem seguidos permanentemente dieta e, na grande maioria das vezes, tratamento medicamentoso, o ácido úrico volta a subir e mais cedo ou mais tarde uma nova crise de gota virá.
Curiosamente, grande número de gotosos não entende ou assume o abandono do tratamento e da dieta. A conseqüência não é somente uma nova crise de artrite aguda muito dolorosa, mas o risco de desenvolver deformidades articulares que poderão ser bastante incômodas e irreversíveis. Não se justifica, atualmente, gotoso ter novas crises e, muito menos, deformidades estabelecidas.
Crise aguda
Nunca iniciar alopurinol na crise! Se já está usando, manter na mesma dose.
Colchicina 0,5 ou 1mg de hora em hora até a crise aliviar era o tratamento ideal até que surgissem novos antiinflamatórios não-esteróides (AINES), potentes e com menos eventos adversos, principalmente quando usados por prazo curto. O esquema da colchicina foi então abandonado devido à intensa diarréia que provocava, atualmente está sendo usado somente nos raríssimos pacientes que têm contra-indicação absoluta a qualquer AINE.
A melhor combinação de medicamentos é colchicina via oral 3 a 4 vezes ao dia e um AINE intramuscular ou endovenoso. Quando a dor diminuir, passar para via oral. A associação de analgésicos potentes é útil, se ainda persiste dor.
O esvaziamento de uma articulação repleta de líquido inflamatório por punção com agulha produz grande alívio. Injeção intra-articular de corticóide (Infiltração), está indicada quando há contra-indicação aos esquemas clássicos.
Colchicina inibe a chegada de leucócitos aonde estão os cristais. Não diminue o ácido úrico. Isto se consegue com dieta e alopurinol (Zyloric).
Somente iniciar alopurinol após desaparecimento da inflamação. O modo de introdução deve ser lento. Usar 100 mg por dia 10 a 20 dias e depois 200 mg por dia. Em 4 a 6 semanas, dosar novamente o ácido úrico. Se estiver acima de 6mg% é melhor passar para 300 mg de alopurinol.
É importante ressaltar que o tratamento medicamentoso depende de prescrição médica e não dispensa a dieta alimentar.

Referência bibliográfica:
ABC DA SAÚDE, 05/04/10 Disponível em:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?219.
Postado por: Zuleika Damasceno.

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